Rio nas altura por Nilo Lima

RIO CARNAVAL

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Arraste na noite


Madrugada silêncio por vezes intolerante,
uma forma de esconder as verdades,
uma busca de perdido,
um perdido do nada.

Reticências... sem definição,
pousada do tempo adormecido,
num vagar de sonhos acordados,
acorrentado em momentos tateados.

mochiaro

sexta-feira, 15 de maio de 2015

UM PRESENTE





v



HOJE GANHEI UM PRESENTE.
ENFIM ALGUÉM SE LEMBROU DE MIM!
E QUE PRESENTE.
UMA CARTA
OU MELHOR
UM AMONTOADO DE CARTAS.
.
UM LIVRO
E QUE LIVRO!!!

PEGUEI COM O CUIDADO PORCELANIZADO..
RETIREI O SEU ENVÓLUCRO,
COM QUEM DESCORTINA O DESCONHECIDO.
DESCOLEI O SÊLO
PRESENÇA MARCANTE DA PARTIDA
E DA CHEGADA.

E, O RESERVEI PARA COLOCÁ-LO,
ENTRE AS FOLHAS,
TAL COMO UMA PÉTALA DE FLOR
MARCANTE DOS MOMENTOS
ANTES VIVIDOS.
.
PALMEI-O,
APALPEI-O,
NA PROCURA DA MACIEZ
DAS MÃOS QUE O CALIGRAFOU.

NAS MARCAS MARCANTES
DAS DIGITAIS ALI CONSTATADAS;
NA TRANSFERÊNCIA DO CARINHO,
DA VONTADE,
DO DESEJO,
DA OFERTA,
DO AMOR,
AO ENVIA-LO
AO PRESENTEÁ-LO.

UMA PARTE DE SI!

HOJE EU GANHEI UM LIVRO!
HOJE EU FUI LEMBRADO!
POR QUEM A DISTÂNCIA NOS SEPARA.
POR QUEM A PRESENÇA
NÃO SE FAZ PRESENTE.
POR QUEM A IMAGEM PRESENTE,
FLUTUA ATRAVÉS DAS ONDAS
SENOIDAIS DA COMUNICAÇÃO.
.
HOJE GANHEI UM LIVRO!
DA FORMA MAIS PROVINCIAL,
DA FORMA MAIS ROMÂNTICA,
DA FORMA MAIS CULTA,
DA CULTURA DOS SERES.
.
HOJE GANHEI UM LIVRO!
GRITEI PARA DENTRO DO MEU INTERIOR;
DESTRAVEI O RELÓGIO DO TEMPO;
DISPAREI SEU ALARME;
ANUNCIEI.

ACORDEI OS ANJOS
SOLTEI UM GRITO ALUCINANTE
UM URRO ANIMALESCO DE FELICIDADE.

CUIDADOSAMENTE.
DESENROLEI AS FOLHAS DO ENVOLTÓRIO
PARA NÃO FERIR A SENSIBILIDADE
ALI PRESENTE.
.
HOJE GANHEI UM LIVRO!
PRENDO INSATISFEITO ESSE DESEJO
DE ABRI-LO,
FOLHEA-O,
DEVORA-LO COM OS OLHOS,
BEIJA-LO
E, APERTA-LO CONTRA O PEITO.
.
VOU COLOCÁ-LO NA MESA DE CABECEIRA
LONGE DOS OUTROS
QUE FICARÃO NA ESTANTE
ENCIUMADOS
COM A PREFERÊNCIA.

HOJE EU GANHEI UM LIVRO!
HOJE CRISTANIZEI-ME.

COM ESTA BIBLIA SAGRADA.
OBRIGADO DEUS
QUE ABENÇOE AS MÃOS QUE O CRIOU.

HOJE GANHEI UM LIVRO!
HOJE EU FUI LEMBRADO!
PELA FADA DAS FADAS

POR VOCÊ


mochiaro

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domingo, 25 de maio de 2014

domingo, 15 de dezembro de 2013

EM CÍRCULO





São muitos os vazios entre as letras que compõem uma poesia
São espaços em caminhos retilíneos ou curvilíneos:
A RETA nos afasta ao infinito
O CÍRCULO traz sempre à volta a origem
Assim ao partir podemos escolher o caminho 
Quanto a mim sempre vou escolher o círculo por onde caminhar
caminhar em ângulos marcados por noventa graus.
Ao alcançar a primeira angulação fico na verticalidade de seu caminho.
Na segunda angulação, me sinto na mesma linha, mas em direção oposta.
Em mais um ângulo reto fico em verticalidade invertida.
Mas ao completar uma volta, essa sim, volto à origem.
Na origem de onde parti e você ficou.
Na origem onde voltei e então,
zerei os ângulos.
Assim me fez sentir que não adianta partir;
sem destino e preso ao mesmo raio que me faz girar.
Voltarei sempre à origem de nossos desejos.

mochiaro



 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

UMA IMAGEM REFLETIDA






Imagem refletida no espelho plano,
contornos de uma face invertida,
os olhos fixam o que a mente repulsa,
um desejo interior gritante em angustia.

Vê a direita o que a esquerda real apresenta,
uma troca cruel de posições,
um momento de mudança em fuga de esperança.

Mas o espelho da mente é o espelho da alma,
e nela a beleza expõe o real inexistente,
e sua alegria lhe faz mais bela,
embaçando a tristeza que em si apresenta.

Uma carência angustia e um ser lhe medita,
uma presença necessária se faz presente,
na ausência de um vazio cheio.

Sente só e folheia versos que falam de si,
que tocam em seu ser,
que entende o seu “eu” em ferimentos profundos,
e sacia sua sede nas gotas lacrimais de seu choro em silencio.

Um magnetismo aflora num ser ausente,
que lhe faz sentido presente na ausência, distante,
e os raios em energia ilumina sua áurea,
em um sonho angelical profundo.


mochiaro


sábado, 24 de novembro de 2012

na galeria...


Em oculta meditação,

Sou gravura em riscos loucos.

Prensado em resultados mortos;

definidos ou não,

por olhares crentes,

em seu inconsciente iludido.


Faço-me presente na criação artística.


Sou catado em admiração;

no agrado dos olhares errados;

no alicerce interior,

de um passante na vida em galeria.

transferindo-se na imagem calada,

na prisão de sua moldura;

na moldura de sua vida em prisão,

no companheiro de sua solidão.


A mudez ausculta e silencia.

que nada diz, mas conforta.


Viu-me em exposição e sentiu-se

Culta !


mochiaro

sábado, 17 de novembro de 2012






LUA NOVA


Noite ofegante por falta de luz.
Lua respirando um ar frio e úmido.
Calçadas desertas sem despertar anseios.

Bares cobertos em sombria solidão.
Ausência  no calor que se falta.
indiferente no teclado ferido,
As digitais  impressas se apagam

Um dia mais, um dia a menos na perdida caminhada.
Mudos gritos espalham em total desespero.
Perguntas formulam a dormida consciência.

E tudo vagueia mum definir vazio.
Uma ausência por mais sentida,
Em uma presença por mais perdida.

mochiaro